Por que digo que tenho 93 anos, quando, na verdade, estou com 62 – 50 e Mais

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Por que digo que tenho 93 anos, quando, na verdade, estou com 62   50 e Mais
Por que digo que tenho 93 anos, quando, na verdade, estou com 62 50 e Mais

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A antropóloga e escritora Mirian Goldenberg, 62, autora de livros, como A Bela Velhice

Maya Santana, 50emais

Um artigo dos mais interessantes da antropóloga Mirian Goldenberg, 62, porque fala de uma experiência nova, que é mentir a idade para cima. O que estamos acostumados a ver são pessoas, homens e mulheres, escondendo a própria idade, como se envelhecer, avançar no tempo e na vida fosse algo que envergonha, constrange. Ao invés de dizer que tem 62 anos, a antropóloga se dá 93 anos. E, claro, todo mundo exclama: Não acredito! Isso é ela mesma que conta, nesta crônica, publicada na Folha de São Paulo .

Leia:

Preciso confessar: eu, como muitas brasileiras, minto a idade.

Quando completei 40 anos, criei o Movimento das Coroas Poderosas para combater os preconceitos e estigmas que cercam o envelhecimento. Nenhuma amiga quis participar. Até hoje, sou a presidente, secretária, tesoureira e única militante do Coroas. 

Depois, quando me perguntavam a idade, passei a responder: “Eu sou ageless, sem idade, inclassificável”. Achavam chique!

Passei pela fase de responder com a pergunta clássica: “Quantos anos você acha que eu tenho?”. E ficava feliz com aqueles que mentiam e diziam no mínimo dez anos a menos. 

Também tive a fase: “Não pergunte a idade de uma mulher, que indelicado”.

Após tentativas de fingir que não estou envelhecendo, para ser coerente com tudo o que defendo no meu novo livro “Liberdade, felicidade e foda-se!”, resolvi assumir: tenho 93 anos.

Por que 93? É a média de idade dos meus amigos queridos e dos meus atuais pesquisados. Desde 2015 eu só convivo com homens e mulheres de mais de 90 anos. Com eles, vou à Academia de Terceira Idade, ao supermercado, ao teatro e cinema, restaurantes e botecos. Eu me tornei nativa, como diria Malinowski. É com eles que gosto de conversar, todos os dias. São eles que me cuidam quando estou doente. São eles que dão alegria à minha vida, com suas risadas gostosas. São eles que me inspiram com seus projetos de vida.

Enquanto minhas amigas mostram no celular as fotos dos filhos e netos, eu exibo orgulhosamente as fotos dos meus novos amigos, meus nonagenários queridos.

Então, não tem mulher que diminui a idade? Aumentei um pouco a minha e saí do armário: 93 anos. E nunca fui tão livre e feliz. É a primeira vez que posso ser eu mesma. É o melhor momento de toda a minha vida. Como ensino aos meus alunos e alunas: “Eu também sou velha! E velha é linda! Viva a bela velhice!”.

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