Vida nova através do esporte: Curitiba recebe primeira edição dos Jogos Brasileiros para Transplantados – Sempre Família

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Vida nova através do esporte: Curitiba recebe primeira edição dos Jogos Brasileiros para Transplantados   Sempre Família
Vida nova através do esporte: Curitiba recebe primeira edição dos Jogos Brasileiros para Transplantados Sempre Família

Anderson Gonçalves, Gazeta do Povo

Passar por um transplante de órgãos não é algo fácil. Afinal de contas, trata-se de um procedimento delicado, ao qual se recorre em geral quando o tratamento médico por outras vias não é suficiente para sanar um problema. Isso não quer dizer, contudo, que a pessoa que passa por isso vai ter uma vida limitada. Na grande maioria dos casos, tanto quem doa quanto quem recebe tem plenas condições de realizar as atividades comuns a outras pessoas, inclusive a prática de esportes e atividade física.

Com a proposta de desmistificar a ideia de que o transplante de órgãos representa um obstáculo para uma vida normal, Curitiba recebe na próxima semana um evento inédito no Brasil: a primeira edição dos Jogos Brasileiros para Transplantados .

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Inspirada nos Jogos Mundiais para Transplantados, que acontecem desde 1978, a competição vai reunir mais de 60 atletas de todo o país em quatro modalidades: atletismo, corrida de rua, tênis e natação. A abertura acontece na quinta-feira (21), na sede da prefeitura de Curitiba, e as provas, de sexta a domingo, em espaços públicos.

A iniciativa partiu da Associação Brasileira de Transplantados (ABTx), entidade criada em 2017 para atuar na defesa dos direitos dos transplantados, estimular a doação de órgãos e discutir políticas públicas pró-transplantes. O presidente da associação, Edson Arakaki, conta que a ideia começou a ser fomentada nesse mesmo ano, após a comitiva brasileira retornar dos jogos mundiais, realizados em Málaga, Espanha. “Os jogos mundiais acontecem há 30 anos e o Brasil ainda não tinha uma competição dessa natureza. Ficamos com a ideia na cabeça e começamos a planejar”, revela.

Arquivo pessoalArquivo pessoal/

Quem sugeriu que Curitiba sediasse a competição inédita foi o empresário Rodrigo Swinka, diretor regional da ABTx no Paraná. “Como tenho experiência com organização de eventos, procurei a prefeitura de Curitiba e começamos a conversar. Eles acabaram abraçando a causa e a cidade, mais uma vez, será pioneira”, relata. A associação ficou responsável pela organização dos jogos e seleção dos atletas, enquanto o município garantiu a execução, cedendo as estruturas física e de pessoal necessárias.

Para o diretor de Esporte da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, Carlos Eduardo Pijak, o evento inédito servirá para chamar a atenção quanto à importância da prática de atividade física e também incentivar a doação de órgãos. “É importante alertarmos a sociedade para essa questão. Ao se declarar doadora, a pessoa pode salvar vidas e ajudar até sete outras pessoas”, ressalta. No total, 68 pessoas se inscreveram para as competições. “Pode não parecer muito, mas por ser a primeira edição e, diante da especificidade da competição, é um número bastante significativo”, avalia Pijak.

Esforço e dedicação

Dentre os competidores que estarão em ação em Curitiba está o próprio presidente da ABTx, que há 18 anos precisou passar por um transplante de rim. Aos 57 anos, o médico Edson Arakaki já participou de cinco edições dos Jogos Mundiais para Transplantados, competindo como tenista, e trouxe medalhas em quase todas. “Sempre pratiquei esporte, jogava futebol, tênis, fazia corrida. Mas foi só depois do transplante que comecei a levar mais a sério, treinar em um nível mais forte e participar de competições”, conta.

“Existe um mito de que, após um transplante, a pessoa não pode mais fazer nenhum tipo de exercício, pelo contrário. É uma renovação, uma nova vida que você tem que saber aproveitar”

Uma trajetória um pouco parecida com a de Rodrigo Swinka, que também era adepto da prática esportiva e passou por um transplante de rim quando tinha 21 anos. Da mesma maneira, a dedicação como atleta só veio depois do procedimento. “Logo que recebi a notícia perguntei ao médico se poderia fazer algum tipo de esporte. Ele brincou dizendo que poderia fazer qualquer um, menos triathlon. Foi ali que eu coloquei na cabeça que iria tentar me superar e fazer o mais difícil”, conta.

O pensamento positivo se transformou em treinamento e dedicação. Resultado: no ano passado, Rodrigo conquistou a medalha de prata no triathlon nos Jogos Latinoamericanos para Transplantados em Salta, Argentina. “Existe um mito de que, após um transplante, a pessoa não pode mais fazer nenhum tipo de exercício, pelo contrário. É uma renovação, uma nova vida que você tem que saber aproveitar. Através do esporte, podemos ser uma referência para as pessoas se espelharem e buscarem uma vida saudável”, diz o empresário, que irá disputar em Curitiba a prova de corrida de rua.

Exemplo para todos

Enquanto Edson se firmou como tenista e Rodrigo acertou as passadas na corrida, Heloisa de Lima Riske se encontrou nas piscinas. Ela tinha oito anos quando, em razão de uma insuficiência renal crônica, recebeu um rim transplantado da mãe, Suian Cristina de Lima.

Um ano depois, passou a praticar natação por orientação médica. Desde então, não precisou mais ser internada, já ganhou medalhas em competições e agora, aos 14 anos, espera subir ao pódio dos Jogos Brasileiros para Transplantados.

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“Nos Jogos para Transplantados vai ser diferente. Vou encontrar pessoas como eu, que passaram as mesmas coisas que eu passei, com história parecida com a minha. Espero ir bem nos jogos e ganhar”, disse Heloisa em material divulgado pela assessoria de comunicação da prefeitura. A adolescente, que pratica natação no Clube da Gente do Tatuquara, vai disputar as provas de 50m livre, 100m livre, 50m costas e 50m peito.

Arquivo pessoalArquivo pessoal/ Edson Arakaki

Segundo o presidente da ABTx, das 2,5 mil pessoas transplantadas que estão cadastradas na entidade, cerca de 800 disseram praticar atividade física. “Muitas delas não praticavam e, quando começaram, passaram a se sentir melhor. A atividade física aumenta muito a autoestima e a confiança”, destaca Edson. “Além disso, o esporte é uma maneira como conseguimos mostrar para todo mundo que o transplante é um tratamento que nos permite ter uma qualidade de vida como a de qualquer outra pessoa.”

No Brasil, entre janeiro de junho de 2019 foram realizados 4,3 mil transplantes de órgãos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes. A maior parte (2,9 mil) foram transplantes de rim, seguidos pelos de fígado (1 mil).

 

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Programação

Jogos Brasileiros para Transplantados

Quinta-feira (21)

18h30 – Abertura oficial na Prefeitura de Curitiba

Sexta-feira (22)

8h30 – Atletismo: provas 100m, 200m, 400m, 800m, salto em distância, arremesso de peso e pentatlo infantil. Local: Universidade Positivo.

14h – Tênis. Local: Centro de Esporte e Lazer do Xaxim.

Sábado (23)

8h30 – Natação: provas 50m e 100m livre, 50m e 100m costas, 50m e 100m peito, 25m livre infantil. Local: Centro Esportivo Praça Oswaldo Cruz.

Domingo (24)

7h30 – Corrida e caminhada de rua 6km. Local: Av. Dr. Dário Lopes dos Santos.

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